Um mar de gente sem futuro, aqui é Brasil. Todo dia uma batalha nessa guerra sem ter fim, amo minha pátria, mas minha pátria já não vê assim. Não tem parquinho, só criança no farol. No fim do dia a calçada vira lençol. Onde sonhava em ser criança, acabou a esperança, roubaram a sua infância e hoje só quer vingança… Aqui barraco é luxo, sociedade em declínio. Pra morador de rua viaduto é condomínio. Tô cansado de promessas, provaram quem são fraude. Pra quem mora em Brasilia o planalto virou playground… Nasci soldado então é matar ou morrer, entre as perdas do mundão, a maior foi a paz e hoje a favela sabe a falta que ela faz. Com vocês planeta ódio. Salve, mundo cruel. Não vou seguir sem terminar o meu papel. Pai do céu por favor me dê coragem pra vagar nesse inferno que eles chamam de cidade. Só fita de muleque sem pai sentindo ódio. Em vez de pular muro querendo subir nos pódio. Dá revolta né? Nós tem culpa em parcela, tem nego que vira liga e esquece da favela. E assim desde o inicio não dá pra escapar, a vida corre perigo tio, tá longe de acabar. Isso é só um resumo que me faz pensar que só com outro big bang que o mundo vai mudar.
— Projota e Terceira Safra (via rap-em-acao)

Não posso tocar sua pele, mas eu sinto seu amor. E a pior hora que quase todos temiam chegou, mais que uma avó mais sim uma segunda mãe, bem humorada sempre de bem com a vida, mais seu papel que tinha que ser cumprido na terra chegou ao fim. Fiquei sem forças, parece que é um pesadelo que jamais irei acordar, mais é a realidade. Mal tive forças pra suportar, mais tive que ter forçar pra carregar o seu caixão.
Minha véia, minha coroa, minha rainha, minha vó. Sei que agora está em um lugar bem melhor, no paraíso.
Minha mãe não fala, da palestra.


